Da Polónia, com amor

Nota introdutória: este é um artigo de opinião escrito por Ricardo Silvestre, dos Democratas.

No verão de 2010, passeando pelas ruas de Old Town de Varsóvia, mão dada com a maravilhosa Anna (Ania) B, que tive a felicidade, durante dois anos, de ser minha namorada, foram-me mostradas, aqui e ali, as cicatrizes que a cidade expõe, orgulhosamente, de um passado recente, onde o povo polaco, e particularmente os habitantes de Varsóvia, sofreram atos horríveis de crueldade.

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Ania explicou-me muitas coisas que eu já conhecia pela leitura de livros sobre a história da Segunda Guerra Mundial, e de ter observado, mesmo que à distância, as dinâmicas no Pacto de Varsóvia. Apesar disso, deixei que Ania, com o seu inglês com sotaque polaco, contasse sobre as coisas que aprendera na educação escolar que tivera, mas principalmente por causa das conversas que se perpetuam dentro das famílias polacas.

Quando passámos perto do Palácio Presidencial, logo ao lado da Igreja Católica e Seminário de Varsóvia (igreja onde, Ania confessou-me, um dia gostava de casar), ela explicou-me que o seu pai tinha sido um dos membros da equipa de limpeza do Palácio, logo a seguir ao final da Segunda Grande Guerra. Um dos maiores motivos de orgulho de Józef B (para além das duas filhas maravilhosas que tem), é ter sido um dos habitantes de Varsóvia que ajudou à cidade voltar a alguma normalidade, que só seria totalmente resposta em 1989, com os Polish Round Table Agreement.

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Portanto, os Polacos sabem o que é fascismo, o que é totalitarismo, e o que é lutar pela sua autodeterminação e liberdade.

Anna B está bem. Falei com ela recentemente. Juntamente com dezenas de milhares de Polacos, ela saiu para a rua, para expressar a sua oposição, pacífica, mas determinada, ao que está a acontecer. Assim como para fazer perceber que as coisas estão mal, novamente, na Polónia, e que mais uma vez é preciso levantar a voz e arregaçar as mangas.

Na semana passada, o Parlamento Polaco passou uma lei que determinou o final dos termos dos membros do Conselho Nacional do Poder Judiciário (órgão constitucional que garante a independência dos tribunais e juízes na Polónia), e que dá poderes ao parlamento para escolher 15 dos seus 25 membros. E agora apareceu a proposta de lei que permite que o Parlamento nomeie juízes para o Supremo Tribunal.

O projecto de lei, apresentado pelo Partido da Lei da e da Justiça (Prawo i Sprawiedliwość – PiS) no governo, foi aprovado pela câmara baixa (a Sejem) e pelo Senado, onde o PiS tem maioria. Isso causou a resposta popular, com os maiores protestos na rua desde que o PiS chegou ao poder no final de 2015. População, opositores políticos, grupos de direitos humanos e a União Europeia, dizem que estas mudanças prejudicam a separação de poderes entre o ramo executivo e o judiciário, o que é um princípio democrático fundamental. Agora está na mão do Presidente Andrzej Duda vetar, ou promulgar a lei.

Desde que foi eleito em 2015, a PiS reforçou o controlo do governo sobre os tribunais e os procuradores, bem como a imprensa estatal, e introduziu restrições sobre reuniões públicas e a actividade de organizações não-governamentais. Poucos esperavam que o partido de Jaroslaw Kaczynski, agora liderado por Beata Maria Szydło, destruísse os fundamentos da democracia Polaca em menos de dois anos.

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A Comissão Europeia tem mantido uma monitorização do que chamam “o Estado de Direito na Polônia”. O Presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, escreveu uma carta ao Presidente Polaco, pedindo “respeito pela lei, e pelos valores da União Europeia”. A Comissão Europeia, segundo o vice-presidente do Executivo comunitário, Frans Timmermans, está na iminência de activar o artigo 7 do Tratado da União Europeia, o que pode conduzir à suspensão de direito de voto da Polónia. No entanto, as ameaças da União Europeia parecem não dissuadir o PiS no caminho que decidiu seguir, talvez po a ameaça da suspensão do direito de voto será vetada pela Hungria, outro país a passar por um período de retrocesso das liberdades e de processos democráticos.

O ministro polaco para os Assuntos Europeus, Konrad Szymański, garantiu que a Polónia “irá responder”, no caso do artigo 7 ser activado, apesar de não se saber muito bem o que isso quer dizer. Esta postura do PiS, de assumir uma posição anti-Europeia, também não se reflete na vontade do povo. Uma última manifestação, desta vez em frente ao Palácio Presidencial, alguns manifestantes tomaram a decisão, como sinal, de carregarem bandeiras da Polónia e da União Europeia, entoando cânticos de “Polónia livre, e europeia!”

Assim, o que podemos fazer é reclamar às instituições nacionais, e Europeias, para que a pressão continue a ser colocada no Governo do “Partido da Lei e da Justiça”, de forma a que a Polónia não seja tomada por um um regime totalitário, com tiques anti-democráticos, de religiosidade fundamentalista, que suprime a livre expressão, persegue e ameaça jornalistas, e que promove o isolacionismo e a xenofobia.

Isto num país que deu ao mundo o Solidarność, Joseph Conrad, Maria Skłodowska Curie, Fryderyk Chopin, Nicolaus Copernicus. E que deu também um exemplo de coragem a seguir. Quando rodeados por povos que os queriam conquistar e subjugar, os Polacos elevaram-se, e disseram que não, lutando, contra tudo e contra todos, até à vitória final. Agora, o inimigo “está dentro dos muros”. Foi convidado a entrar, verdade, mas também pode ser convidado a sair, quando o tempo chegar, e se as condições estiverem lá para isso acontecer.

A Ania diz-me que a luta está apenas no início.

Abaixo, algumas fotos do povo polaco, novamente, a defender o seu país.

Warszawa (dia)warsawa

Warszawa (noite)warsawa2

WroclawWrocław

TarnówTarnów

PoznańPoznań

GdańskGdańsk

KrakowKrakow

As tuas Causas, o nosso Movimento: Transportes públicos em Portugal ecológicos e eficientes

Soube-se esta semana que o Governo vai comprar 500 “autocarros limpos” (438 autocarros a gás natural e 72 elétricos), com o primeiro-ministro e o ministro do Ambiente a “assinar os termos para encorajar a compra de mais autocarros a gás natural e elétricos”.

A medida é louvável mas escapa-nos qual a visão global do Governo para a #mobilidade #ecologica (ou se há alguma). Esperemos que não seja uma medida avulsa só para português ver.

É necessária uma estratégia nacional que também inclua a optimização dos transportes públicos (entre outros itens) para termos um Portugal mais verde.

Nesse sentido, os Democratas apresentam uma das suas Causas, com o título.

(Todos) os Transportes públicos em Portugal: ecológicos e eficientes

A campanha dos Democratas é para a alteração das regras de compra e de gestão da frota de transportes públicos, por parte do poder local e regional para até 2025 todos os transportes públicos deixarem de ser movidos a combustíveis fósseis.

O PDF da Campanha pode ser visto aqui, e estamos receptivos a quem queira trabalhar connosco para o lançamento, e acompanhamento desta Causa.

Para entrar em contacto connosco, envie um mail para: causas@democratas.pt

causa

Pedrógão Grande: Carta Aberta

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Ao Excelentíssimo Presidente da República Portuguesa, Professor Marcelo Rebelo De Sousa;
Ao Excelentíssimo Senhor Primeiro Ministro da República Portuguesa, Dr. António Costa;
À Excelentíssima Ministra da Administração Interna, Doutora Constança Urbano de Sousa

Vimos por este meio solicitar informação sobre o que foi feito relativamente às famílias das 64 vítimas mortais, bem como em relação aos mais de 200 feridos e demais atingidos pela tragédia ocorrida em Pedrógao Grande, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos e Góis.

Entre as nossas dúvidas destacamos:
– Qual o destino actual dos mais de 13 milhões de euros em doações, fruto da caridade e esforço dos portugueses?
– Com que celeridade chegarão esses donativos aos afectados?
– Já foram feitos os devidos requerimentos a Bruxelas para recorrer ao fundo de solidariedade europeu?

os melhores cumprimentos,
Democratas

O Trumpismo e as eleições na Europa

Das poucas (muito poucas) coisas boas que se pode tirar da eleição de Donald Trump para Presidente dos Estados Unidos, uma delas tem sido o efeito (juntamente com o Brexit, e com o “sentimento de culpa” que esse voto causou no Reino Unido) no despertar de consciências para as consequências de, na política, se tomar… vamos dizer, más decisões.

O desastre que temos visto do outro lado do Atlântico, a juntar à cada vez mais clara influência que a Rússia tenta ter em processos democráticos no ocidente, fez com que os votantes, a imprensa, e até mesmo os aparelhos políticos, começassem a assumir uma posição muito mais crítica, e vigilante, sobre as intenções que certos partidos têm (de uma forma mais, ou menos, declarada) para governar os seus países, ou a Europa.

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E esse efeito foi visto, com mais contundência em França. Depois dos ataques terroristas em Paris, no mês de abril, Trump chegou a dizer que Le Pen seria beneficiada por esse acontecimento, para além de ter expressado, de uma forma mais ou menos velada, que preferia que fosse a candidata da Frente Nacional a ganhar. Marine Le Pen teve 34% dos votos na segunda ronda, que acabou por ser francamente menos do previstos 40 a 45% que alguns analistas lhe davam no final de 2016. Também não ajudou Marine que os Franceses a vissem tão “perto” de Putin, tanto ideologicamente, como financeiramente. A tudo isso juntou-se descalabro que foi o “dump” de e-mails da campanha Macron pela Wikileaks, a minutos do período de reflexão antes do dia da votação, que neste caso não teve o efeito desejado (por parte do Wikileaks) por causa do eleitorado Francês ser bem mais sofisticado do que o Americano).

FN

Antes das eleições em França, já se tinham vistos alguns sinais que a extrema-direita podia estar ligeiro declínio no Velho Continente, quando nas eleições de março nos Países Baixos, o PVV (Partij voor de Vrijheid) de Geert Wilders, teve 13% dos votos. A meio de dezembro, as intenções de voto para o PVV estavam nos 22%, com Wilders a gabar a vitória de Trump e a juntar o populismo do PVV à mensagem da Campanha Trump nos U.S.

PVV

E podemos falar do que “acabamos de assistir” no Reino Unido, onde outro partido que se quis “colar” ao “efeito Trump” (particularmente depois do que se viu com o ridículo Nigel Farage a fazer de “poodle amestrado” do Presidente Americano),

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o UKIP (UK Independence Party), que tinha tido 13% dos votos em 2015, e grande motor da campanha do Brexit, teve… 2%(!) dos votos, e perdeu o único MP que tinha na House of Commons.

UKIP

O próximo grande ponto de interesse é a Alemanha, com as eleições para o Bundestag em setembro. O CDU/CSU de Angela Merkel está na pole position a nível de intenção de voto, sendo que o Partido Democrático de Martin Schulz pode dar alguma disputa pelo equilíbrio de forças políticas na Alemanha. O que é bom é que tanto um como o outro candidato são pró-europeus e contra o populismo (com o exemplar comportamento de Schulz a defender a Chanceler dos ataques de Trump quando o último fez a primeira visita à Europa como Presidente dos US). No entanto, o mais importante tem sido a queda do Alternative für Deutschland (AFD) de Frauke Petry, que desceu de 13% para 8%. Também aqui se observou o AFD a expressar simpatias, tanto por Trump como por Putin.  Petry que chegou a ser chamada como “o Trump da Alemanha”, por causa da simetria nas posições e populismo, arrisca-se a ser uma força política residual.

AFD

Claro que não há maneira de saber o quanto é que umas coisas se relacionam com as outras, e se o Brexit e o Trumpismo tiveram um efeito direito sobre estas tendências nos últimos meses. É verdade que o “estrago já está feito” em alguns dos casos, mas esperamos que os eleitorados estejam a aprender com os erros que se têm observado (Turquia, Brasil, Venezuela, Polónia, Rússia, USA, Brexit, entre outros) e que alguma da racionalidade política que se tem observado na Europa se mantenha uma realidade tangível, no lugar de “novas soluções” que só trazem confusão e extremismos.

O Nosso Movimento, as tuas Causas

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Os Democratas pretendem afirmar-se como um movimento de causas.
Isto é, um partido político com uma identidade mas em que a iniciativa cabe ao indivíduo.

Queremos que cada pessoa, que se identifique com os nossos valores e que não se reveja no actual espaço político, possa ser um Líder, e que tenha as devidas ferramentas e apoio para lutar por uma causa e criar uma campanha cívica à volta desta.

Sabe mais sobre esta iniciativa aqui.

 

Impeachment é uma possibilidade

Na espiral descendente que tem sido os últimos dias (últimas semanas, últimos meses) da Adminstração Trump, existe uma observação que é constante, e absolutamente espantosa… o Presidente Trump acha que é intocável, e que nada lhe pode, ou vai, acontecer. Não só está “confiante” nisso, como inclusive, fica admirado quando alguém acha, ou age, em contrário.

Assim, não é de admirar que o despedimento de James Comey, Diretor do FBI, tenha sido um rol de histórias mal contadas, intenções simuladas e obstrução de procedimentos, e em última análise, de justiça.

Alguns exemplos.

O New York Times relatou que dias antes de ser demitido, James Comey, pedira ao Departamento de Justiça (DOJ) um aumento significativo de recursos para a investigação  sobre a interferência da Rússia na eleição presidencial. Claro que isso “não iria ser aceite” pela Administração, ou até mesmo pelo DOJ, uma vez que Jeff Sessions, o responsável pelo Departamento foi… um dos membros da campanha Trump.

Por falar em Sessions, que não devia ter influência nestes processos, uma vez que se “retirou” de qualquer decisão a ver com a investigação da Rússia e das eleições (por ter mentido, sob juramento na sessão no Senado para a sua confirmação), novamente o New York Times, por Michael Schmidt  reportou que o procurador-geral Jeff Sessions “tinha procurado razões” para demitir Comey desde a semana passada, encontrando uma, totalmente ridícula sobre a forma como Comey lidou com a investigação sobre os servidores de e-mail de Hillary Clinton… um assunto fechado desde o ano passado

Josh Dawsey do Politico escreveu que Trump “estava a ficar furioso com a investigação russa“, fúria talvez mais premente por estar a ficar cada vez mais “próxima” da Casa Branca. E quando Trump disse a Lester Holt da NBC que “Quando o decidi fazer [despedir Comey] eu disse para mim mesmo, “esta coisa da Rússia e do Trump, isto é uma história inventada”.

O Presidente dos Estados Unidos não pode despedir um procurador-geral, ou o Director do FBI, ou desmantelar um tribunal, ou querer mudar as regras da democracia Americana porque “acha” que uma coisa que não é a seu favor é inventada, ou então é perseguição política, ou é fake news pela imprensa.

Ao fazer estas coisas, Donald Trump está a ajudar a escrever os “Articles of Impeachment”. Agora é só preciso uma maioria na Casa dos Representantes e no Senado que queiram preservar a América, e colocar “país à frente de partido”.

Make it so, Mr. Data.

Para continuar a acompanhar as “peripécias” que levarão à destituição do usurpador na Casa Branca, pode seguir os Democratas na pagina do Facebook “Democratas pelo Impeachment de Trump

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Liberdade de Expressão e Imprensa atacada

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Liberdade de Expressão e Imprensa novamente atacadas numa democracia:
“Jornalista fez tantas vezes a mesma pergunta à Administração Trump que foi detido”

Este é o período da história com o maior risco no atentado à liberdade de expressão e de imprensa, conforme já referimos num texto anterior.
A coberto de argumentos de ordem pública e segurança, diversos governos criminalizam a possibilidade de intervenção, de questionamento, e de informar. Algo que começa a surgir por toda a Europa (de salientar Polónia, Hungria, Turquia e obviamente a Rússia).

Portugal não é excepção. Com o beneplácito de alguns directores, e jornalistas, a censura e a auto-censura ganham terreno, evitando tocar nas feridas da nossa sociedade, com receio de ofender ou desagradar o poder. Uma Democracia forte, com cidadãos activos e informados não é feita com base em jornalismo cor-de-rosa, clickbaits ou factos alternativos.

Esperemos que os jornalistas não acordem quando já for tarde e comecem, desde já, a assumir os seus deveres e responsabilidades.

Os Democratas defendem um Portugal Livre e Democrático em que os indivíduos sejam inseridos numa democracia liberal, com as inerentes liberdades política, de expressão e de imprensa.

Dia da Europa 2017

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O Dia da União Europeia (ou Dia da Europa) é hoje celebrado, marcando 67 anos da “Declaração de Schuman”.

Essa simples Declaração, elaborada por dois dos pais fundadores da UE (Robert Schuman e Jean Monnet), foi a semente, que lançada, se transformou numa árvore, cuja sombra abrange 28 países e mais de 510 milhões de pessoas.

As raízes ideológicas na qual assenta este projecto: Paz, Democracia, Liberdade, Prosperidade, União, e Cooperação entre os Povos Europeus; estão hoje ameaçadas por forças internas e externas. A continuação, e o fortalecimento, desta União depende de um maior envolvimento dos cidadãos na defesa desse ideais.

Sabemos que o nosso futuro está na Europa.
Somos europeístas convictos, mas não acríticos.
Somos cidadãos do mundo e acreditamos num mundo livre de barreiras políticas, onde a liberdade de circulação de cidadãos e de troca de bens, e de serviços, seja a normalidade, não a exceção à regra.

Para tal precisamos de uma União forte e renovada, feita de, e para os povos, onde os líderes assumam os seus deveres e responsabilidades, onde os cidadãos possam construír pacificamente um futuro melhor.

A França decidiu Macron

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A França decidiu eleger Macron.

Decidiu confiar no centro democrata, racional e pragmático, ao invés de embarcar numa aventura populista extremista, guiada pela ignorância e pelo medo.

Decidiu renovar a confiança na Europa e na União e não nas miragens do nacionalismo e do divisionismo.

Decidiu, colocar um jovem de 39 no leme do país, sinal de uma renovação e de uma revolução. Sinal de uma geração que continua a acreditar nos ideias de Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

Assim, 7 de maio não passou em claro, juntando-se a outras datas simbólicas que tornam a Europa, e França, verdadeiramente grande nos seus valores e ideais. Lembramos que 8 de maio é dia da Vitória na Europa, data formal que marca a derrota da Alemanha Nazi, e que 9 de maio é o Dia da União Europeia.

Os Democratas juntam assim a sua voz, nesta verdadeira Ode à Alegria, como centristas e europeístas que somos e desejamos as maiores felicidades a Emmanuel Macron.

Também desejamos estender os votos de sucesso para as próximas legislativas ao movimento En Marche. Igualmente desejamos sucesso, nas respetivas eleições, aos Liberal Democrats (UK) e ao FDP (Alemanha). Os Democratas estão a trabalhar para igualmente criar em Portugal um movimento alternativo credível ao sistema esquerda/direita caduco e aos populismos que sobem o tom de voz.

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Interessa também referir um assunto, que secundário, é de grande importância.

Faltavam poucos minutos para a meia-noite de sexta-feira, e pouco antes do período de reflexão que é imposto pela lei eleitoral francesa, nove gigabytes de e-mails, e documentos, supostamente roubados da campanha do principal candidato presidencial Emmanuel Macron foram colocados na net.

Esta foi uma tentativa de última hora para desacreditar o candidato centrista Macron, e fazer com que os Franceses ou não votassem, ou votassem na nativista, e populista Marine Le Pen. Já vimos isso acontecer antes, tanto no Reino Unido como nos Estados Unidos, e não admirou a ninguém que mais um ataque cibernauta a campanhas eleitorais tenham sido feitos para beneficiar o candidato “apoiado” pelo Kremlin, e por Vladimir Putin.

E também ninguém ficou realmente surpreendido ao “ver-se” a “marca electrónica” de Fancy Bear (também conhecido como Pawn Storm e Apt28), que foi o grande responsável pelos ataques nos UK e USA (com a “preciosa” ajuda do Wikileaks).

Porém, esta é a nova maneira de lidar com movimentos anti-democráticos, parte da estratégia da campanha Macron para prevenir e combater estas ataques foi… aceitar os ataques, mas distribuir informação errada.

À medida que os gigabytes começaram a ser difundidos pelos servidores usados por ativistas de extrema direita, começou a crescer o descrédito da qualidade da informação, ao ponto que os próprio Wikileaks tiveram de publicar um tweet a distanciar-se dos conteúdos.

Com diríamos em Francês, “bien joué, monsieur Macron.”

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Finalmente, gostávamos de terminar fazendo uma referência ao grupo EM! Portugal, de quem fomos convidados no encontro organizado em Lisboa para festejar a vitória de Emmanuel Macron. Os Democratas fizeram-se presentes, e os primeiros contactos foram feitos entre duas forças políticas que têm muito em comum.

Para saberem mais sobre o grupo EM! Portugal visitem a página de Facebook em

facebook.com/enmarcheportugal

Liberdade de Imprensa: #WorldPressFreedomDay 2017

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Os Democratas defendem um Portugal Livre e Democrático em que os indivíduos sejam inseridos numa democracia liberal, com as inerentes liberdades política, de expressão e de imprensa, livres de viver segundo os seus padrões e não por aqueles definidos por outros indivíduos, organizações ou Estado. Assim sendo, não podemos deixar passar em branco este #WorldPressFreedomDay sem fazer uma breve análise do panorama actual em termos de liberdade de imprensa.

Segundo o Ranking da Liberdade de Imprensa 2017, publicado à poucos dias pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), Portugal ocupa a 18.ª posição no ranking, subindo cinco lugares em relação à posição que ocupava no ano passado (em 2002 ocupavamos a 7ª posição).

No entanto, não podemos esquecer que entre janeiro de 2005 e janeiro de 2017, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos condenou Portugal 21 vezes por ter violado o artigo 10º da Declaração Europeia dos Direitos do Homem:

“Artigo 10.º
1- Qualquer pessoa tem direito a liberdade de expressão. Este direito compreende a liberdade de opinião e a liberdade de receber ou de transmitir informações ou ideais sem que possa haver ingerência de quaisquer autoridades públicas e sem considerações de fronteiras. O presente artigo não impede que os estados submetam as empresas de radiodifusão, de cinematografia ou de televisão a um regime de autorização prévia.
2- O exercício destas liberdades, porquanto implica deveres e responsabilidades, pode ser submetido a certas formalidades, condições, restrições ou sanções, previstas pela lei, que constituam providencias necessárias, numa sociedade democrática, para a segurança nacional, a integridade territorial ou a segurança pública, a defesa da ordem e a prevenção do crime, a protecção da saúde ou da moral, a protecção de honra ou dos direitos de outrem, para impedir a divulgação de informações confidenciais, ou para garantir a autoridade e a imparcialidade do Poder Judicial.”

Este número de condenações é 3 vezes superior à média europeia.

O relatório aponta o dedo a duas leis que prejudicam gravemente a Liberdade de Imprensa: a lei da difamação e o estatuto do jornalista.

“A lei portuguesa criminaliza a difamação – e quando a pessoa ofendida é um funcionário público, a pena é uma vez e meia mais longa. Além disso, os juízes têm forte propensão a ver difamação em toda parte.”

Apesar desta “melhoria”, o cenário global não é dos mais animadores.
São cada vez mais frequentes, e banais, os ataques contra os mídia, sobretudo devido à ascenção e maior poder repressivo de diversos políticos autoritários. Vivemos agora numa era de pós-verdade e de factos alternativos, em que diversos líderes e regimes tentam passar a sua propaganda política, e a sua visão distorcida do mundo, como informação fidedigna.

Também é de salientar a crescente obsessão pela vigilância aos profissionais, bem como, o desrespeito pelo sigilo das fontes jornalísticas.

“A liberdade de imprensa nunca esteve tão ameaçada. Na verdade, o índice global do Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa elaborado pela RSF nunca esteve tão elevado (3872). Em cinco anos, o índice de referência usado pela RSF sofreu 14% de degradação. Este ano, cerca de dois terços (62,2%) dos países listados registraram um agravamento de sua situação, enquanto o número de países onde a situação para as mídias é considerada “boa” ou “quase boa” diminuiu em 2,3%.”

Publicado anualmente, desde 2002, por iniciativa da organização RSF, o Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa permite determinar a situação relativa de 180 países com relação, sobretudo, ao seu desempenho em matéria de pluralismo, independência das mídias, respeito à segurança e à liberdade dos jornalistas. O Ranking respeitante a 2017 foi estabelecido levando-se em conta violações cometidas entre 1 de janeiro e 31 de dezembro de 2016. Os índices globais e regionais são calculados a partir dos pontos obtidos pelos diferentes países. Por sua vez, esses pontos são estabelecidos a partir de um questionário proposto em vinte línguas a especialistas do mundo inteiro e submetido a uma análise qualitativa. Vale ressaltar que quanto mais elevado estiver o índice, pior a situação. A crescente notoriedade do Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa faz dele um instrumento de defesa essencial e, cada vez mais influente.

fontes:
https://rsf.org/pt/ranking-mundial-da-liberdade-de-imprensa-2017-grande-virada
https://rsf.org/pt/portugal

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