Um ano de Administração Trump

Nota introdutória: este é um artigo de opinião escrito por Ricardo Silvestre, dos Democratas, reagindo ao que se está a passar nos Estados Unidos.


Agora que temos um ano de Presidência Trump, vale a pena fazer uma pequena retrospectiva sobre o que têm sido o equivalente a estar numa “montanha Russa” (sim, o trocadilho é de propósito), onde alternámos entre receios legítimos que a Casa Branca, e a maioria Republicana, vão arruinar os Estados Unidos de uma forma irrecuperável, e o alívio de perceber que essas mesmas pessoas são tão incompetentes que não conseguem destruir o que está feito, o que é consideravelmente mais fácil do que ter de governar uma nação como a América.

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Uma das coisas positivas, desde que aconteceu a eleição de Trump, e o partido Republicano ficou com a Casa dos Representantes, Senado e Casa Branca, é que nenhuma legislação realmente importante, ou que causasse impacto na sociedade foi passada. Por outro lado, são vários os casos de insucesso, ou de acções que têm diminuído, se não mesmo envergonhado, os Estados Unidos.

A nível interno, temos (entre muitos outros exemplos).

1) Os ataques à imprensa, com a solução fácil (e fascista) de rotular tudo o que seja notícias negativas sobre a Presidência como “fake news”. Esta atitude é corrosiva no momento, e no futuro, pois criará toda uma geração de políticos que podem fazer aquilo que quiserem sem receio de serem expostos pela imprensa com consequências pelos seus actos.

2) O mentir de uma forma compulsiva e incompreensível. Desde o primeiro momento de tomada de posse, onde qualquer pessoa, qualquer pessoa(!) podia constatar que duas fotografias comparadas mostravam que o Presidente e o seu Porta-Voz estavam a mentir descaradamente, até à contagem de quantas falsidades o Presidente já disse desde Novembro (e que vai em 1268 no momento em que escrevemos estas linhas, ou uma média de 5.5 por dia).

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3) Obstrução à justiça. Despedindo o Director do FBI por não lhe ter feito um juramente de lealdade e por estar a seguir com a investigação sobre a influência Russa nas eleições de Novembro e que resultou na nomeação de um Procurador-especial, que, pelo que é reportado, também poderá ser vítima de uma “massacre de sábado à noite, como aconteceu com a Administração Nixon.

4) As diferentes gerações de Ordens Executivas com “proibição de entrar nos Estados Unidos”, principalmente para países de maioria Muçulmana e que têm sido sistematicamente anuladas por tribunais Federais.

5) A incapacidade de repelir a lei Affordable Care Act, apesar de os Republicanos o terem tentado mais de 60 vezes em 6 anos, e essa ter sido uma das promessas da Campanha Trump.

7) A terrível resposta aos desastres naturais dos furacões Irma e Maria, com o Governo Federal a ter uma acção sub-par, e inclusive no caso de Porto Rico, com o Presidente envolvido em controvérsias totalmente desnecessárias e contraproducentes, com quezílias pessoas e ameaças económicas e de retirada a ajuda Federal.

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8) A perda de vida de 4 soldados na Nigéria, numa missão mal preparada e sem apoio de Informação Militar. Quando a Administração foi confrontada com isso, não houve respostas por um longo período, e quando houve foi com a tentativa de ilibar o Presidente e passar todas as responsabilidades para os militares.

9) A tentativa de diminuir os direitos de livre expressão e de associação pacífica, que vão desde o Departamento de Justiça até ao Presidente, desse Universidades até ligas profissionais de desporto.

10) Perseguição aos oponentes políticos. Obcecado com a derrota do voto popular e alimentado pela FOX-News e as suas estapafúrdias teorias da conspiração que têm sempre como alvo Hillary Clinton, o Presidente dos USA usa a sua posição para “sugerir” ao Departamento de Justiça que persiga criminalmente o Partido Democrata assim como a candidata desse partido às últimas eleições.

11) O Muro. Primeiro era o México que ia pagar, depois já era o México que ia pagar depois, depois é os contribuintes Americanos que vão pagar, depois pode ser um muro, mas será transparente para se ver os sacos de droga, depois pode não ser um muro mas uma cerca. Nem um espectáculo de comédia conseguiria ser tão ridículo.

12) O haver “algumas boas pessoas” entre movimentos de supremacistas brancos. Depois do horror de Charlottesville, não só o Presidente demorou muito tempo a ter uma comunicação pública, quando o fez, foi verdadeiramente a contra-gosto, e quando teve uma oportunidade de falar sem preparação prévia teve um conjunto de afirmações que só por si deviam ser razões para Impeachment.

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A nível global, tem-se observado a diminuição de poder dos Estados Unidos como força diplomática, uma subserviência absurda a Moscovo, a vontade de sair dos Acordos de Paris (os Estados Unidos são a única, a única, nação a não querer estar nos Acordos, a aposta em tentar revitalizar a industria do carvão tirando apoios para o desenvolvimento de tecnologias para energias renováveis, as ameaças de alterar a natureza e funcionamento da NATO, e claro, os “insultos de escola primária” entre o Presidente dos Estados Unidos e o “Little Rocket Man”, isto dito do pódio da Assembleia-Geral das Nações Unidas.

O fenómeno do Trumpismo baseia-se num ataque consecutivo, e sem tréguas, ao conhecimento e à competência. O anti-intelectualismo apresentado por Trump e pela máquina que o promove oculta a ignorância e a idiotice como populismo e tenta criar uma empatia com o votante menos informado e mais susceptivel de concordar com ideologias extremistas.  A identificação de Trump como um “homem do povo” deriva da uma crença por esse “povo” que o Presidente da América é capaz de superar a sua manifesta falta de qualidade e de preparação para o lugar com “intuição”, “experiência” e “senso-comum”, quando nenhuma das coisas serve bem o actual Presidente, ou até os seus votantes.

Depois há a irresponsabilidade de ser ignorante. O Presidente dos Estados Unidos tem sempre de lembrar a imprensa e os seus votantes de “o quanto é esperto, formado, e experiente”. E no entanto as suas opiniões, declarações e sugestões sobre política interna e externa mostram principalmente o quanto Trump não sabe, nem o mínimo, dos assuntos nos quais devia saber mais. Este fenómeno de alguém ser profundamente ignorante sobre um assunto, e no entanto apresentar-se como uma autoridade nesse assunto é conhecido como o efeito Dunning-Kruger. E o pior é que não se fica só pelo ocupante da Casa Branca. Este estilo de comportamento é observável nos membros da Administração, staff Presidencial e administradores do governo. Não quer saber, nem quer alterar isso, apesar de ter a maior máquina de informação governamental à sua disposição.

E finalmente há o reforço da incompetência do Presidente. A máquina de imprensa conservadora e Republicana (FOX-News, Breitbart, Wall Street Journal (pelo menos a parte Editorial), talk-radio, comentadores) cria, e mantém, uma realidade alternativa onde tudo o que seja feito pelo Presidente “coloca a América primeiro”. E quando é facilmente demonstrável que não é o caso, imediatamente são acionados os mecanismos de ofuscação; spin, falsidades, comparações inconsequentes (o famoso whataboutism) e tentativas de acusar os críticos do presidente de serem parciais, malévolos ou de “não quererem o melhor para os Estados Unidos.” E no meio de tanto “ruído”, é normal que uma análise empírica e factual nunca ganhe tracção. E como essa “bolha” é aquela que o Presidente, e os seus votantes, seguem (FOX-News, Breitbart), o círculo de reinforço é mantido, e aumentado: “O Presidente nunca está errado”… “Vêem? A América acredita que o Presidente nunca está errado”.

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No entanto, alguns indicadores positivos estão a surgir, numa América que se espera, “revolte” contra tal estado de coisas. As primeiras vitórias eleitorais já começam a aparecer, mesmo em locais onde Trump, e o Trumpismo tinham ganho as eleições Presidenciais. E falta menos de um ano para, esperamos, o Partido Democrata ganhar o Senado e a Casa dos Representantes e a mudança de rumo começara a tomar forma.

Esperemos que para o ano que vem, quando se escrever a crónica dos dois anos de Administração Trump, seja para mencionar que o processo de Impeachment está a caminho.

Pedrógão: Onde está o Dinheiro?

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Em 17 de Julho e em 17 de Agosto os Democratas enviaram algumas perguntas sobre a tragédia de Pedrógão a diversos Ministros:
Sr Primeiro Ministro António Costa; Srª Ministra da Administração Interna; Sr Ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social; Sr Ministro do Planeamento e das Infraestruturas. Também teve conhecimento das referidas perguntas sobre Pedrógão o Sr Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa.

Até à data de hoje, surpreende-nos a ausência de respostas, não só a nós como a todos os que pretendem maior transparência sobre como está a ser conduzida a resposta a esta situação.

De todas as questões que na altura lançamos, mantém-se uma muito pertinente:
Qual o destino dos mais de 13 milhões de euros em doações (valor avançado em Julho), fruto da caridade e esforço dos portugueses, que teriam destino às famílias e demais afectados pela tragédia de Pedrógão?

Parece que, 2 meses após as nossas 1ªs perguntas, finalmente PSD e CDS-PP acordaram da sua letargia e acompanham-nos na pergunta sobre o paradeiro dos fundos destinados a Pedrógão (ex: 1, 2, 3, 4 ). Estranhamos, mas compreendemos, o silêncio (cúmplice) de BE e PCP quanto a este mistério.

Pedrógão Grande: Carta Aberta (2)

dems

Ao Excelentíssimo Presidente da República Portuguesa, Professor Marcelo Rebelo De Sousa;
Ao Excelentíssimo Senhor Primeiro Ministro da República Portuguesa, Dr. António Costa;
À Excelentíssima Ministra da Administração Interna, Doutora Constança Urbano de Sousa

Vimos por este meio solicitar informação sobre o que foi feito relativamente às famílias das 64 vítimas mortais, bem como em relação aos mais de 200 feridos e demais atingidos pela tragédia ocorrida em Pedrógão Grande, Castanheira de Pêra, Figueiró dos Vinhos e Góis.

Passados dois meses da tragédia, e um mês após a nossa primeira missiva, as nossas dúvidas mantêm-se e avolumam-se, das quais destacamos:
– Qual o destino actual dos mais de 13 milhões de euros em doações, fruto da caridade e esforço dos portugueses?
– Porque continua o site do fundo REVITA sem informação dos fundos recebidos, e que continua a receber? E porque não revela os apoios já entregues?
– Porque as entidades receptoras estão a reter os donativos para os afectados?
– Dos fundos comunitários recebidos como estão a ser aplicados? Porque não criar o portal com a informação da aplicação desses fundos?
– Porque é que a acção das entidades públicas se remete a reparações na EN 236 e os acessos e sinalética às aldeias continua por fazer?
– Porque é que a sua presença em Pedrogão, Figueiró e Castanheira não é feita de surpresa sem o governo? Estas visitas articuladas não deixam ver a realidade e acabam por deixar a sensação de encenação;
– Porque ignora os inúmeros voluntários que trabalham no terreno recolhendo apoios por si, constatando que efectivamente a ajuda ao local não chega e que são os únicos a dar resposta em diferentes áreas?

O Estado falhou. Era essencial que não falhasse nestes pontos.

os melhores cumprimentos,
Democratas

35 milhões de Americanos que votaram em Trump, não votaram em Trump

Nota introdutória: este é um artigo de opinião escrito por Ricardo Silvestre, dos Democratas, reagindo ao que se está a passar nos Estados Unidos.

O meu interesse pela política americana não é puramente académico. Tendo vivido nos Estados Unidos durante quatro anos, especialmente desde o tumultuoso período do pós 11 de setembro, até o primeiro ano do segundo mandato da Administração George W. Bush.

lady

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Presidente Trump e os Elefantes cobardes

Numa entrevista ao New York Times, a semana passada, o Presidente dos Estados Unidos “ventilou” a hipótese (seguramente como um trial balloon, recomendado pelos seus advogados) de impedir a investigação que está a ser liderada pelo Procurador-Especial Robert Mueller, ou até mesmo, obrigar o Department of Justice (DOJ) a despedir Bob Mueller. E soube-se, no mesmo dia, que os advogados de Trump, a mando deste, andam a investigar se o Presidente tem poderes para perdoar-se a si, e a membros da sua Administração e família, de algum processo criminal onde possam ser indiciados.

Isto, na mesma altura que foi tornado público que Donald Trump Jr aceitou comparecer numa reunião, com alguém associado ao governo Russo, e com uma troca de e-mail onde o “assunto da mensagem” era… Russia – Clinton – Private and Confidential!!

A resposta do Jr? “Se é aquilo que diz, eu adoro, especialmente na parte final do verão.”

loveit

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Da Polónia, com amor

Nota introdutória: este é um artigo de opinião escrito por Ricardo Silvestre, dos Democratas.

No verão de 2010, passeando pelas ruas de Old Town de Varsóvia, mão dada com a maravilhosa Anna (Ania) B, que tive a felicidade, durante dois anos, de ser minha namorada, foram-me mostradas, aqui e ali, as cicatrizes que a cidade expõe, orgulhosamente, de um passado recente, onde o povo polaco, e particularmente os habitantes de Varsóvia, sofreram atos horríveis de crueldade.

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As tuas Causas, o nosso Movimento: Transportes públicos em Portugal ecológicos e eficientes

dems

Soube-se esta semana que o Governo vai comprar 500 “autocarros limpos” (438 autocarros a gás natural e 72 elétricos), com o primeiro-ministro e o ministro do Ambiente a “assinar os termos para encorajar a compra de mais autocarros a gás natural e elétricos”.

A medida é louvável mas escapa-nos qual a visão global do Governo para a #mobilidade #ecologica (ou se há alguma). Esperemos que não seja uma medida avulsa só para português ver.

É necessária uma estratégia nacional que também inclua a optimização dos transportes públicos (entre outros itens) para termos um Portugal mais verde.

Nesse sentido, os Democratas apresentam uma das suas Causas, com o título.

(Todos) os Transportes públicos em Portugal: ecológicos e eficientes

A campanha dos Democratas é para a alteração das regras de compra e de gestão da frota de transportes públicos, por parte do poder local e regional para até 2025 todos os transportes públicos deixarem de ser movidos a combustíveis fósseis.

O PDF da Campanha pode ser visto aqui, e estamos receptivos a quem queira trabalhar connosco para o lançamento, e acompanhamento desta Causa.

Para entrar em contacto connosco, envie um mail para: causas@democratas.pt

Pedrógão Grande: Carta Aberta

dems

Ao Excelentíssimo Presidente da República Portuguesa, Professor Marcelo Rebelo De Sousa;
Ao Excelentíssimo Senhor Primeiro Ministro da República Portuguesa, Dr. António Costa;
À Excelentíssima Ministra da Administração Interna, Doutora Constança Urbano de Sousa

Vimos por este meio solicitar informação sobre o que foi feito relativamente às famílias das 64 vítimas mortais, bem como em relação aos mais de 200 feridos e demais atingidos pela tragédia ocorrida em Pedrógao Grande, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos e Góis.

Entre as nossas dúvidas destacamos:
– Qual o destino actual dos mais de 13 milhões de euros em doações, fruto da caridade e esforço dos portugueses?
– Com que celeridade chegarão esses donativos aos afectados?
– Já foram feitos os devidos requerimentos a Bruxelas para recorrer ao fundo de solidariedade europeu?

os melhores cumprimentos,
Democratas

O Trumpismo e as eleições na Europa

Das poucas (muito poucas) coisas boas que se pode tirar da eleição de Donald Trump para Presidente dos Estados Unidos, uma delas tem sido o efeito (juntamente com o Brexit, e com o “sentimento de culpa” que esse voto causou no Reino Unido) no despertar de consciências para as consequências de, na política, se tomar… vamos dizer, más decisões.

O desastre que temos visto do outro lado do Atlântico, a juntar à cada vez mais clara influência que a Rússia tenta ter em processos democráticos no ocidente, fez com que os votantes, a imprensa, e até mesmo os aparelhos políticos, começassem a assumir uma posição muito mais crítica, e vigilante, sobre as intenções que certos partidos têm (de uma forma mais, ou menos, declarada) para governar os seus países, ou a Europa.

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O Nosso Movimento, as tuas Causas

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Os Democratas pretendem afirmar-se como um movimento de causas.
Isto é, um partido político com uma identidade mas em que a iniciativa cabe ao indivíduo.

Queremos que cada pessoa, que se identifique com os nossos valores e que não se reveja no actual espaço político, possa ser um Líder, e que tenha as devidas ferramentas e apoio para lutar por uma causa e criar uma campanha cívica à volta desta.

Sabe mais sobre esta iniciativa aqui.

 

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