Vamos a um café…um “Café Europa”, na Casa da Europa do Distrito de Lisboa

Os Democratas estão interessados na realidade Europeia, e como isso afecta os Portugueses.

Assim, temos a honra de nos associarmos à CEDL – Casa da Europa do Distrito de Lisboa, na promoção de um “Café Europa” onde se vai discutir o tema do Brexit, e “Que impacto para Portugal e para a União?”

Como escreve a CEDL na explicação do evento , este é um “tema importante para um debate aberto numa perspectiva dos cidadãos.”

Assim, vamos estar na Casa da Europa esta quinta-feira, dia 22, a partir das 18:30 para este Café Europa.

Venham ter connosco e fiquem para um debate que se torna cada vez mais necessário.

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Não tem nada de importante para fazer, Sr Presidente?

Como se não houvesse mais nada que precise de ocupar o tempo e a mente (ou o que sobra dela) do Presidente dos Estados Unidos, ficámos a saber que Trump fez uma lista 11 “prémios” de “fake news”, atacando assim a imprensa livre, um dos baluartes dos Estados Unidos.

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Fake news significa para a actual Casa Branca, GOP, e máquina propagandista que suporta as duas coisas (FOX-News, Breitbart, etc) “qualquer notícia com que não estamos de acordo, ou que de alguma maneira mostra aquilo que realmente somos e não queremos que ninguém note.”

Enquanto Americanos continuam em tremendas dificuldades em Porto Rico, ou quando o Governo Federal está em vias de ter de fechar por se acabarem os fundos, ou quando a lei DACA (protecção dos jovens não Americanos que entraram no país como crianças e que entretanto têm tido vidas exemplares e se encontram totalmente integrados na sociedade) está a expirar e ameaça expulsar pessoas que nunca conheceram outro local que aquele que vivem neste momento, ou o CHIP (sistema de apoio a crianças necessitadas, que precisam de ajuda para tratamentos médicos), ou prevenir o ataque a eleições feito por uma nação hostil. Isto entre entre muitos outros exemplos.

E de lembrar quando conservadores e republicanos quase perderam o juízo quando o Presidente Obama passou 15 minutos a fazer uma previsão de como iria correr o torneio universitário de basquetebol.

BRACKET

Financiamento Partidário

hemi

Agora que a proposta da nova lei para financiamento dos partidos volta para a Assembleia da República, não deixa de ser interessante notar que um lado das bancadas parlamentares parece não ter problemas com a ideia de devolver esse diploma ao Presidente da República, que assim não terá outra hipótese que não o promulgar.

Este é o mesmo lado das bancadas que sempre se assumiu como um “centro moralista” da política Portuguesa, na defesa dos “pequenos” e dos “sem vantagens e sem acesso”, e que tantas vezes fazem uma crítica à política como apenas uma luta de poder, e de criação de condições desiguais entre governantes e governados.

Agora, esse mesmo lado das bancadas está confortável com a ideia de uma lei injusta e ignóbil, principalmente num país onde milhares de pessoas passam por dificuldades, e lutam por ter condições para uma vida desafogada e digna. Nessa ala, mais à esquerda do hemiciclo, os partidos procuram-se benesses, não reconhecidas a outras organização ou pessoas que, “no terreno”, fazem aquilo que esses mesmos partidos mais dizem defender.

Ficamos assim a saber que esse quadrante político acaba por cair na total falta de vergonha, aproveitando a oportunidade de ter alguma influência no governo da Nação, para promover todas as coisas que se dizem ser contra: abuso de poder, oportunismo político, falta de transparência, hipocrisia moral.

É verdade que assim é um pouco por todo o espectro partidário, mas a esquerda sempre se arrogou a ser a mais moralista a fazer política. Faz o que eu digo mas não faças o que eu faço, assim se resume este caso.

O melhor Presidente de sempre… a mentir descaradamente.

No momento em que estas linhas são escritas, o Presidente dos Estados Unidos fez um total de 1,628 declarações falsas, ou enganadoras, nos 298 dias desde que assumiu essa posição.

Isto dá uma média de 5.5 tais declarações por dia!

Para quem seguiu de mais perto o processo de campanha em 2016 (e até mesmo antes disso), era óbvio que o candidato Trump não é beneficiado de qualquer “controlo de impulso”, ou “pensar antes de falar” (e neste caso, também escrever via Twitter), ou até mesmo de “bom senso” no que se trata de emitir declarações para o exterior da sua mente.

Para quem estava mais distraído, o primeiro “choque frontal” com um mundo que não existe para além da massa encefálica entre as orelhas do Presidente da América, e que ele quer, por decreto ou por persuasão, fazer com que os outros vivam nela também foi quando da “polémica” do número de pessoas que estavam presentes na Inauguração.

O então Secretário da Imprensa da Casa Branca, Sean Spicer, a mando do Presidente, fez a sua primeira grande apresentação da insanidade que seriam os meses que seguiam afirmando, “ponto final!” que o número de pessoas presentes para a Inauguração tinha sido o maior de sempre.

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Como é possível ter tal desplante? Só num universo onde Trump é o centro da existência.
E como é possível tentar fazer uma ponte para o mundo real?

Quando alguém como a Conselheira do Presidente Kellyanne Conway disse ao pivot do Meet The Press, Conway disse que “Sean Spicer não mentiu, ele apenas deu factos alternativos”.

E assim se criou uma mitologia que cada vez é mais prevalente, e que cada vez mais ajuda a entender em que moldes funciona o Presidente dos Estados Unidos.

Vejamos alguns exemplos:

Ele é “maior e melhor homem de sempre e o maior melhor estadista de sempre”.
Ele ganhou o Colégio Eleitoral com uma vitória histórica. Ele teria ganho o voto popular se não fosse mais de 3 milhões de votantes ilegais. A sua Presidência foi aquela que fez mais pelo país. A redução dos impostos é a maior de sempre. Na China nunca receberam um estadista estrangeiro como ele foi recebido. Nunca se viu uma economia tão forte, nunca se viu tantos trabalhos a regressar aos Estados Unidos. E nunca se viu um homem tão inteligente, que contrata só as melhores pessoas possíveis e que tem “mas melhoras palavras”, que sabe mais do que os Generais ou economistas.

“Vejam todas as coisas que eu fiz”, que não existem realmente ou não foi responsável por acontecerem.
Foi por causa dele que certas empresas automóveis não moveram fábricas para o México, quando tinha sido acordado durante a Administração anterior. Que foi por causa dele que a NATO criou um departamento de informação quando isso tinha sido decido muito antes. Que é responsável pela Coreia do Norte e do Sul estarem em contacto quando a única coisa que tem feito é minar o trabalho do Departamento de Estado que é responsável por diplomacia. É por causa dele que os indicadores económicos e o desemprego estão com bons valores, apesar de ser ainda resultado das decisões tomadas na Administração Obama (e que se diga, na altura, na opinião do então candidato Trump não eram indicadores de se confiar, pois estavam a ser manipulados).

“Fui eu o primeiro a pensar nisto e sei melhor que todos os outros”, por muito ridículo que seja o que diga.
Abraham Lincoln era um Republicano (muita gente não sabia disso), que a expressão Fake News não existia antes de
pensar nela, ou também “prime the pump”. Que os seus planos para erradicar ISIS demorariam 3 meses a completar. Que os acordos com a China precisavam de ser renegociados, assim como o NAFTA E TPP. Que a embaixada dos USA em Israel ser mudada para Tel Avive. Só ele é que sabe não existiu um ataque informático de larga escala nas eleições Americanas, apesar de 17!) agências governamentais já o terem expresso (e provado). Todos estes exemplos (e outro) apesar de toda a gente dizer que não, é o contrário do que está a pensar. Toda a gente sabia isto e toda a gente sabe que está enganado.

“I just make s#it up”, e outros que limpem a porcaria.
O Presidente Barack Obama foi o responsável por haver “Wire Tapps” na Trump Tower. O Presidente Obama libertou prisioneiros de Gitmo (quando foi George Bush). Obama criou (com a ajuda de Hillary Clinton) ISIS. Obama deu 150 mil milhões de dólares ao Irão (quando era dinheiro que pertence ao país mas que estava retido). Obama nunca telefonou, ou visitou famílias de soldados mortos em combate. Hillary Clinton fez conluio com os Russo para…. (perder as eleições?). O FBI devia prender Hillary por… Hillary vendeu urânio aos Russos… Quem roubou os e-mails do Partido Democrata pode ter sido uma pessoa de 181 quilos que vive numa cave… Obamacare está a implodir (falso) e como tal é preciso salvar as pessoas de um sistema de saúde que aumentou o número de pessoas asseguradas.  Os Estados Unidos são o país onde há a maior taxa de retenção e impostos sobre empresas… etc, etc, etc.

Este o mundo de esquizofrenia que os Estados Unidos (e por inerência o resto do mundo) vive agora.

trumrollerHá uma solução, mas os membros da Administração são demasiado cobardes, ou os Republicanos no poder demasiado comprometidos ou cúmplices.

Vamos esperar que 2018 traga uma nova realidade, e principalmente coloque este mentiroso compulsivo a mentir onde não faça mal a ninguém.

2018: Reinventar Portugal

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2017 não foi de todo, conforme afirmou o Primeiro Ministro, um “ano saboroso”, mas sim, usando palavras do Sr Presidente da República, um “estranho e contraditório ano”.

Se até à semana de 10 de junho o país parecia viver um clima de crescente celebração e optimismo, anestesiando alguns para a crua realidade, esta acabou por nos bater à porta a 16 de junho com força redobrada. A resposta política à tragédia de Pedrógão falhou em toda a linha, e tardou para que, humildemente, fossem reconhecidos erros, falhas e responsáveis. A resposta popular, pelo contrário, foi rápida, generosa e exemplar.

Em outubro o povo fez-se ouvir nas urnas. Mais de 45% dos votantes preferiu ficar em casa a ir votar. Mas parece que esses números não incomodaram muito e, todos os partidos foram, ironicamente, vencedores, continuando o hábito de viverem num mundo próprio.

A realidade voltou a bater à porta a 15 de outubro e a reclamar mais vidas, o preço injusto a ser pago quando as políticas estão desajustadas da realidade.

Estas enormes tragédias, bem como o caso trágico-cómico de Tancos, acabam por ensombrar as vitórias políticas (algumas discutíveis) que o Governo e seus parceiros parlamentares tiveram.

Vivemos um dia-a-dia de constante guerrilha comunicacional em que nenhuma das forças políticas parece querer estar à altura das suas funções, preferindo sacudir responsabilidades para outros capotes.

Neste cenário é de salientar o papel do Presidente, sempre atento (e vocal) no seu papel de fiel da balança, elevando o debate acima da mesquinha luta tribal, marcando cada vez mais a agenda política e as respostas do Governo. Esta sua mensagem de Ano Novo foi um relembrar, a todos os actores políticos, que há funções em que o Estado não deve de todo falhar.

Mas deixando de lado o passado e suas amargas lições e vamos, usando novamente as palavras do Presidente, focarmo-nos na por ele referida “coragem de reinventarmos o futuro”. A mensagem do Presidente foi bem clara quanto aos ingredientes necessários para que esta reinvenção suceda. Tirando o sumo dessa mensagem podemos chegar a 5 curtas ideias para o futuro:

  • uma nova política feita de e para cidadãos, no terreno, ouvindo e envolvendo todas as partes interessadas;
  • uma nova política que devolva aos portugueses a confiança num Estado que não falha nas suas funções básicas, e que não foje às suas responsabilidades;
  • uma nova política que pugne por mais transparência, mais visão e maior humildade e abertura no diálogo e na elaboração de soluções;
  • uma nova política com base na união, no progresso, no serviço e não nas guerras de bastidores;
  • uma nova política que ambicione um Portugal vencedor, assumindo o nosso lugar na Europa e Mundo, como força positiva para a mudança.

Mas como reinventar o futuro se em 40 e poucos anos de democracia, as forças políticas foram adquirindo muitos vícios, dos quais dificilmente se querem separar?

A resposta parece que só pode ser uma: reinventar os políticos e as forças políticas, tendo como corpo os cidadãos que queiram assumir o leme e que estejam dispostos a lutar por um Portugal melhor.

É esse o papel que os Democratas assumem desde a 1ª hora: fundar um partido para reinventar Portugal. Mão à obra!

Posição dos Democratas sobre a nova lei do financiamento partidário

Os Democratas acham inadmissível a forma como os partidos na Assembleia da República “cozinharam” entre si um conjunto de soluções para resolverem os seus problemas. É escandaloso que, num período em que a transparência quanto a dinheiros doados pelos Portugueses “continua na gaveta”, se realizem acordos políticos como estes, que são muito pouco claros para os cidadãos.

Por que razão um conjunto de entidades, que pouco mais fazem do que procurar a conquista do poder político, sejam vistas como uma “casta” superior, com privilégios que outras entidades não têm, por exemplo, associações de solidariedade que não estão isentas de IVA, de pagamento de IMI, etc…

Este tipo de procedimento deve ser inaceitável para qualquer cidadão. A sociedade civil deve revoltar-se, mesmo aquela que têm uma ligação mais directa com a vida partidária. Estes benefícios para os partidos políticos são uma afronta para todos aqueles que lutam por ter uma intervenção social, com a conhecida dificuldade para fazer isso acontecer, e onde não podem contar com este tipo de benesses.

Esta proposta de lei de financiamento dos partidos, feita às escondidas e à medida, apenas servirá para descredibilizar ainda mais os partidos junto dos portugueses, e em nada contribui para a resolver os verdadeiros problemas que a Democracia parlamentar tem neste momento: falta de líderes, de visão e soluções para o futuro. Além de que é notável que todos os partidos rápida e facilmente se entendam sobre o bolso uns dos outros mas que passem décadas sem se entenderem sobre a vida dos portugueses.

Pelas razões apresentadas, os Democratas exortam o Excelentíssimo Presidente da República a vetar este Decreto-lei, e a reclamar um novo sistema de financiamento dos partidos mais coaduno com a realidade Portuguesa e com as expectativas do eleitorado.

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O processo de Impeachment do 45º Presidente dos Estados Unidos da América

Em quase duzentos e quarenta anos, a América teve quarenta e cinco presidentes e três processos de destituição, ou “Impeachment”. Nenhum desses processos levou ao afastamento do Presidente, sendo que o mais próximo foi a demissão de Richard Nixon. Gene Healy, do CATO Institute acha que “ É difícil dizer que é histórico que nunca tenha havido um Impeachment de um presidente… é mais fácil dizer que não iniciamos esses processos vezes que cheguem”.

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E é preciso chegarmos à era Trump para vermos serem submetidos artigos para destituição, Articles of Impeachment no original, de um Presidente dos Estados Unidos na Casa dos Representantes.

Os autores da Constituição consideraram algumas condições para um processo de Impeachment. A proposta inicial restringia esse procedimento para “atos de traição e suborno”. No entanto, essa definição foi rejeitada por ser demasiado limitada. Uma proposta posterior propôs que fosse por “atos de má administração”. Dessa vez foi rejeitada por ser demasiado ampla. A Constituição acabou por ficar com os termos “grandes crimes e delitos”, ou high crimes and misdemeanors, no original.

High crimes and misdemeanors descrevem muito mais que meras infrações legais. Nos Federalist Papers, Alexander Hamilton apresentou a definição de ” má conduta de homens públicos, ou, em outras palavras, do abuso ou violação da pública. Já James Madison, ao ser confrontado com a questão se a remoção de funcionários do governo sem justa causa seria uma razão para destituição, respondeu que: “a remoção despreocupada de oficiais meritórios seria razão suficiente para Impeachment e remoção.”

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O cientista político Allan Lichtman, autor do livro “The Case for Impeachment” diz que “Os motivos para um Impeachment não precisam envolver um crime. É por isso que o processo não é legal, mas sim político. Não se realiza nos tribunais mas na Casa dos Representantes e Senado”.

Num outro livro, “Impeachment: A Citizen’s Guide”, Cass Sunstein, professor de Direito em Harvard acrescenta que: “se um Presidente efetuar violações grosseiras da confiança pública que lhe é colocada por ter o lugar de presidente, ele pode ser destituído, condenado, e retirado do lugar.”

Impeachment não é a única forma, para além da solução democrática que é votar, de retirar um Presidente do poder. Uma outra opção é invocar a 25ª Emenda da Constituição que permite a remoção do Presidente das suas funções se uma maioria dos membros da Administração, e o Vice-presidente, certificarem que o primeiro se encontra “incapaz de aplicar os poderes e obrigações da sua posição”. Essa Emenda foi ratificada em 1967, como resposta aos problemas de saúde do Presidente Eisenhower, ou quando o assassinato do Presidente Kennedy.

25emenA 25ª Emenda é também ela uma questão de interpretação, não tanto política, mas de desempenho de funções. Isso pode ir desde diminuição as capacidades físicas até às mentais. Se um parecer clínico, independente e corroborado, demonstrassem que o Presidente sofre de uma desordem mental, ou uma qualquer lesão que o impede de cumprir os seus deveres constitucionais, a Emenda pode ser ativada, e com isso a remoção do Presidente.

Porém, tanto o processo de Impeachment, como o de ativação da 25ª Emenda, foram pensados para uma realidade que não é a atual. A Presidência dos Estados Unidos têm muito mais poder do que aquilo imaginado pelos “pais fundadores”, e o sistema político está suportado em dois partidos, onde, estando um no poder, tem as condições suficientes para impedir que o Presidente seja destituído. São necessárias maiorias, tanto na Casa dos Representantes, como no Senado, para se avançar com o processo de Impeachment, e numa América fragmentada politicamente, onde Republicanos e Democratas gravitam à volta de maiorias relativas, e com uma progressiva “tribalização” entre conservadores e progressistas, observa-se a defesa Presidente do partido que está no poder, mesmo que esse tenha cometido atos reprováveis.

A pergunta que se coloca então é, o que é “suficiente” para que os Republicanos que estão com maioria nas duas camaras, ou que possam ficar em minoria depois das eleições intermédias de 2018, queiram remover o Presidente Trump do centro de decisão político e militar dos Estados Unidos. Uma guerra nuclear na Península da Coreia? Uma guerra convencional no Médio-Oriente? Claramente, a possibilidade conluio com uma potência adversário (Rússia), ou a obstrução de justiça (FBI) não são suficientes.

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Esperemos que o que seja, não leve os Estados Unidos à ruína, ou o mundo para um conflito armado.

Um ano de Administração Trump

Nota introdutória: este é um artigo de opinião escrito por Ricardo Silvestre, dos Democratas, reagindo ao que se está a passar nos Estados Unidos.


Agora que temos um ano de Presidência Trump, vale a pena fazer uma pequena retrospectiva sobre o que têm sido o equivalente a estar numa “montanha Russa” (sim, o trocadilho é de propósito), onde alternámos entre receios legítimos que a Casa Branca, e a maioria Republicana, vão arruinar os Estados Unidos de uma forma irrecuperável, e o alívio de perceber que essas mesmas pessoas são tão incompetentes que não conseguem destruir o que está feito, o que é consideravelmente mais fácil do que ter de governar uma nação como a América.

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Uma das coisas positivas, desde que aconteceu a eleição de Trump, e o partido Republicano ficou com a Casa dos Representantes, Senado e Casa Branca, é que nenhuma legislação realmente importante, ou que causasse impacto na sociedade foi passada. Por outro lado, são vários os casos de insucesso, ou de acções que têm diminuído, se não mesmo envergonhado, os Estados Unidos.

A nível interno, temos (entre muitos outros exemplos).

1) Os ataques à imprensa, com a solução fácil (e fascista) de rotular tudo o que seja notícias negativas sobre a Presidência como “fake news”. Esta atitude é corrosiva no momento, e no futuro, pois criará toda uma geração de políticos que podem fazer aquilo que quiserem sem receio de serem expostos pela imprensa com consequências pelos seus actos.

2) O mentir de uma forma compulsiva e incompreensível. Desde o primeiro momento de tomada de posse, onde qualquer pessoa, qualquer pessoa(!) podia constatar que duas fotografias comparadas mostravam que o Presidente e o seu Porta-Voz estavam a mentir descaradamente, até à contagem de quantas falsidades o Presidente já disse desde Novembro (e que vai em 1268 no momento em que escrevemos estas linhas, ou uma média de 5.5 por dia).

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3) Obstrução à justiça. Despedindo o Director do FBI por não lhe ter feito um juramente de lealdade e por estar a seguir com a investigação sobre a influência Russa nas eleições de Novembro e que resultou na nomeação de um Procurador-especial, que, pelo que é reportado, também poderá ser vítima de uma “massacre de sábado à noite, como aconteceu com a Administração Nixon.

4) As diferentes gerações de Ordens Executivas com “proibição de entrar nos Estados Unidos”, principalmente para países de maioria Muçulmana e que têm sido sistematicamente anuladas por tribunais Federais.

5) A incapacidade de repelir a lei Affordable Care Act, apesar de os Republicanos o terem tentado mais de 60 vezes em 6 anos, e essa ter sido uma das promessas da Campanha Trump.

7) A terrível resposta aos desastres naturais dos furacões Irma e Maria, com o Governo Federal a ter uma acção sub-par, e inclusive no caso de Porto Rico, com o Presidente envolvido em controvérsias totalmente desnecessárias e contraproducentes, com quezílias pessoas e ameaças económicas e de retirada a ajuda Federal.

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8) A perda de vida de 4 soldados na Nigéria, numa missão mal preparada e sem apoio de Informação Militar. Quando a Administração foi confrontada com isso, não houve respostas por um longo período, e quando houve foi com a tentativa de ilibar o Presidente e passar todas as responsabilidades para os militares.

9) A tentativa de diminuir os direitos de livre expressão e de associação pacífica, que vão desde o Departamento de Justiça até ao Presidente, desse Universidades até ligas profissionais de desporto.

10) Perseguição aos oponentes políticos. Obcecado com a derrota do voto popular e alimentado pela FOX-News e as suas estapafúrdias teorias da conspiração que têm sempre como alvo Hillary Clinton, o Presidente dos USA usa a sua posição para “sugerir” ao Departamento de Justiça que persiga criminalmente o Partido Democrata assim como a candidata desse partido às últimas eleições.

11) O Muro. Primeiro era o México que ia pagar, depois já era o México que ia pagar depois, depois é os contribuintes Americanos que vão pagar, depois pode ser um muro, mas será transparente para se ver os sacos de droga, depois pode não ser um muro mas uma cerca. Nem um espectáculo de comédia conseguiria ser tão ridículo.

12) O haver “algumas boas pessoas” entre movimentos de supremacistas brancos. Depois do horror de Charlottesville, não só o Presidente demorou muito tempo a ter uma comunicação pública, quando o fez, foi verdadeiramente a contra-gosto, e quando teve uma oportunidade de falar sem preparação prévia teve um conjunto de afirmações que só por si deviam ser razões para Impeachment.

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A nível global, tem-se observado a diminuição de poder dos Estados Unidos como força diplomática, uma subserviência absurda a Moscovo, a vontade de sair dos Acordos de Paris (os Estados Unidos são a única, a única, nação a não querer estar nos Acordos, a aposta em tentar revitalizar a industria do carvão tirando apoios para o desenvolvimento de tecnologias para energias renováveis, as ameaças de alterar a natureza e funcionamento da NATO, e claro, os “insultos de escola primária” entre o Presidente dos Estados Unidos e o “Little Rocket Man”, isto dito do pódio da Assembleia-Geral das Nações Unidas.

O fenómeno do Trumpismo baseia-se num ataque consecutivo, e sem tréguas, ao conhecimento e à competência. O anti-intelectualismo apresentado por Trump e pela máquina que o promove oculta a ignorância e a idiotice como populismo e tenta criar uma empatia com o votante menos informado e mais susceptivel de concordar com ideologias extremistas.  A identificação de Trump como um “homem do povo” deriva da uma crença por esse “povo” que o Presidente da América é capaz de superar a sua manifesta falta de qualidade e de preparação para o lugar com “intuição”, “experiência” e “senso-comum”, quando nenhuma das coisas serve bem o actual Presidente, ou até os seus votantes.

Depois há a irresponsabilidade de ser ignorante. O Presidente dos Estados Unidos tem sempre de lembrar a imprensa e os seus votantes de “o quanto é esperto, formado, e experiente”. E no entanto as suas opiniões, declarações e sugestões sobre política interna e externa mostram principalmente o quanto Trump não sabe, nem o mínimo, dos assuntos nos quais devia saber mais. Este fenómeno de alguém ser profundamente ignorante sobre um assunto, e no entanto apresentar-se como uma autoridade nesse assunto é conhecido como o efeito Dunning-Kruger. E o pior é que não se fica só pelo ocupante da Casa Branca. Este estilo de comportamento é observável nos membros da Administração, staff Presidencial e administradores do governo. Não quer saber, nem quer alterar isso, apesar de ter a maior máquina de informação governamental à sua disposição.

E finalmente há o reforço da incompetência do Presidente. A máquina de imprensa conservadora e Republicana (FOX-News, Breitbart, Wall Street Journal (pelo menos a parte Editorial), talk-radio, comentadores) cria, e mantém, uma realidade alternativa onde tudo o que seja feito pelo Presidente “coloca a América primeiro”. E quando é facilmente demonstrável que não é o caso, imediatamente são acionados os mecanismos de ofuscação; spin, falsidades, comparações inconsequentes (o famoso whataboutism) e tentativas de acusar os críticos do presidente de serem parciais, malévolos ou de “não quererem o melhor para os Estados Unidos.” E no meio de tanto “ruído”, é normal que uma análise empírica e factual nunca ganhe tracção. E como essa “bolha” é aquela que o Presidente, e os seus votantes, seguem (FOX-News, Breitbart), o círculo de reinforço é mantido, e aumentado: “O Presidente nunca está errado”… “Vêem? A América acredita que o Presidente nunca está errado”.

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No entanto, alguns indicadores positivos estão a surgir, numa América que se espera, “revolte” contra tal estado de coisas. As primeiras vitórias eleitorais já começam a aparecer, mesmo em locais onde Trump, e o Trumpismo tinham ganho as eleições Presidenciais. E falta menos de um ano para, esperamos, o Partido Democrata ganhar o Senado e a Casa dos Representantes e a mudança de rumo começara a tomar forma.

Esperemos que para o ano que vem, quando se escrever a crónica dos dois anos de Administração Trump, seja para mencionar que o processo de Impeachment está a caminho.

Pedrógão: Onde está o Dinheiro?

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Em 17 de Julho e em 17 de Agosto os Democratas enviaram algumas perguntas sobre a tragédia de Pedrógão a diversos Ministros:
Sr Primeiro Ministro António Costa; Srª Ministra da Administração Interna; Sr Ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social; Sr Ministro do Planeamento e das Infraestruturas. Também teve conhecimento das referidas perguntas sobre Pedrógão o Sr Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa.

Até à data de hoje, surpreende-nos a ausência de respostas, não só a nós como a todos os que pretendem maior transparência sobre como está a ser conduzida a resposta a esta situação.

De todas as questões que na altura lançamos, mantém-se uma muito pertinente:
Qual o destino dos mais de 13 milhões de euros em doações (valor avançado em Julho), fruto da caridade e esforço dos portugueses, que teriam destino às famílias e demais afectados pela tragédia de Pedrógão?

Parece que, 2 meses após as nossas 1ªs perguntas, finalmente PSD e CDS-PP acordaram da sua letargia e acompanham-nos na pergunta sobre o paradeiro dos fundos destinados a Pedrógão (ex: 1, 2, 3, 4 ). Estranhamos, mas compreendemos, o silêncio (cúmplice) de BE e PCP quanto a este mistério.

Pedrógão Grande: Carta Aberta (2)

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Ao Excelentíssimo Presidente da República Portuguesa, Professor Marcelo Rebelo De Sousa;
Ao Excelentíssimo Senhor Primeiro Ministro da República Portuguesa, Dr. António Costa;
À Excelentíssima Ministra da Administração Interna, Doutora Constança Urbano de Sousa

Vimos por este meio solicitar informação sobre o que foi feito relativamente às famílias das 64 vítimas mortais, bem como em relação aos mais de 200 feridos e demais atingidos pela tragédia ocorrida em Pedrógão Grande, Castanheira de Pêra, Figueiró dos Vinhos e Góis.

Passados dois meses da tragédia, e um mês após a nossa primeira missiva, as nossas dúvidas mantêm-se e avolumam-se, das quais destacamos:
– Qual o destino actual dos mais de 13 milhões de euros em doações, fruto da caridade e esforço dos portugueses?
– Porque continua o site do fundo REVITA sem informação dos fundos recebidos, e que continua a receber? E porque não revela os apoios já entregues?
– Porque as entidades receptoras estão a reter os donativos para os afectados?
– Dos fundos comunitários recebidos como estão a ser aplicados? Porque não criar o portal com a informação da aplicação desses fundos?
– Porque é que a acção das entidades públicas se remete a reparações na EN 236 e os acessos e sinalética às aldeias continua por fazer?
– Porque é que a sua presença em Pedrogão, Figueiró e Castanheira não é feita de surpresa sem o governo? Estas visitas articuladas não deixam ver a realidade e acabam por deixar a sensação de encenação;
– Porque ignora os inúmeros voluntários que trabalham no terreno recolhendo apoios por si, constatando que efectivamente a ajuda ao local não chega e que são os únicos a dar resposta em diferentes áreas?

O Estado falhou. Era essencial que não falhasse nestes pontos.

os melhores cumprimentos,
Democratas

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