Migrações: um desafio a resolver na Europa e pelos Europeus

Nota introdutória. Este é um artigo da responsabilidade de Ricardo Silvestre, dos Democratas.

Na questão das migrações, e de pessoas em dificuldades e a necessitar de exílio, é fácil observar que existe um cisma entre aquilo que é percebido pelos políticos como importante, aquilo que os Europeus pensam ser importante, aquilo que se está a fazer e aquilo que é preciso fazer.

managEm 2018, a opinião dominante, 78% dos cidadãos europeus, é que emigrantes ilegais a entrarem na Europa é um problema sério. Em Portugal, mais de 50% das respostas diz que pode ser um “problema muito sério”.

Estes números são, inevitavelmente, inflacionados quando os Europeus olham para o que se passa nas suas capitais, Berlim, Londres, Paris, Barcelona, Bruxelas, e vêm ataques terroristas de pessoas que, aproveitando o Espaço Schengen, circulam livremente pelos países da União. De uma forma injusta, ou não, a verdade é que 82% dos Europeus acreditam que um aumento de imigrantes pode trazer um aumento de atos terroristas. Novamente, de uma forma injusta, ou não, 70% dos Europeus acreditam que um rápido aumento da população muçulmana é “um problema sério” (30%), ou “muito sério” (40%) para a Europa.

Desde que 2015 que a União Europeia tem tentado distribuir emigrantes e refugiados pelos diferentes estados membros, e até uma solução prudente e lógica como essa têm visto um retrocesso a nível de aprovação por parte dos cidadãos da União Europeia, caindo de 53% em 2016 para 47% em 2017.

Números muito mais sólidos aprecem quando se fala sobre resolver o problema. Cerca de 81% dos Europeus acreditam que devem ser dadas condições, nos respetivos países de origem, para as pessoas terem uma vida com qualidade, e 73% dizem que entrada de tantos emigrantes pode causar um grande problema económico nos países de acolhimento.

Já no lado contrário, os números são contrários a uma ideia que a Europa deve ajudar, e receber de braços abertos pessoas menos favorecidas. Apenas 9% acredita que emigrantes devem ser aceites sem limitações.

(Resultados e metodologia aqui).

map

Diagnosticado o problema, quais são as soluções?

Já vamos um pouco tarde, uma vez que o “mal-estar” já está instalado, e a propaganda por parte de partidos já teve impacto (e bem profundo em certos países) nos eleitorados; Áustria, Hungria, Itália, Eslováquia, Polónia, Ingleses (resultado do Brexit).

Portanto, há que tentar corrigir primeiros passos maldados, e encontrar resoluções que sejam aceitáveis por todos.

Na reunião deste fim-de-semana, do Conselho Europeu, onde o tema da imigração, juntamente com o Brexit e a reforma da eurozona, estavam na agenda, alguns bons sinais parecem ter emergido de Bruxelas.

COUNC

Emannuel Macron, juntamente com Pedro Sánchez propuseram a criação de “controlled centers”, essencialmente campos de refugiados com proteção adicional já no território Europeu, em países que estão na rota mais direta de fluxos migratórios, que estejam disponíveis para os aceitar, e com gestão, e financiamento conjunto da União Europeia.

Por pressão da Itália, ficou também o compromisso que “plataformas de desembarque”, ou centros de processamento, vão continuar a ser uma prioridade para a União Europeia, a serem estabelecidos no Norte de África.

Também os quatro países do que se chama “o grupo de Visegard”, aceitaram as resoluções finais, apesar da sua resistência ao conceito de “cotas obrigatórias” para aceitar refugiados, e da pressão para que termos como “solidariedade” fossem usados de uma forma mais parcimoniosa no documento final.

A nível “macro”, a questão do Médio-oriente tem de continuar a ser um foco principal, sendo necessário resolver os problemas na Síria e na Líbia, que tantas desgraças têm causado às pessoas desses países

Acabamos, para já, com uma sugestão interessante (e importante) por parte de Antonio Tajani, o Presidente do Parlamento Europeu

Em entrevista, o politico italiano sugeriu que no próximo orçamento da União Europeia haja uma provisão para se criar o equivalente a um Plano Marshall para a África. 500 mil milhões de euros a serem investidos na próxima década, de forma a melhorar as condições, e a qualidade de vida de jovens africanos e assim manterem-se nos seus países, sem necessidade de correr tantos riscos para terem uma melhor vida na Europa.

marshal

O mais importante é encontrarem-se soluções e resolverem-se problemas: para quem precisa de ajuda, para quem a quer oferecer, para uma harmonia entre europeus, entre europeus e recém-chegados, e para criarem-se oportunidades para aqueles que querem apostar no progresso e prosperidade no local onde nasceram.

Search