Presidente Trump e os Elefantes cobardes

Numa entrevista ao New York Times, a semana passada, o Presidente dos Estados Unidos “ventilou” a hipótese (seguramente como um trial balloon, recomendado pelos seus advogados) de impedir a investigação que está a ser liderada pelo Procurador-Especial Robert Mueller, ou até mesmo, obrigar o Department of Justice (DOJ) a despedir Bob Mueller. E soube-se, no mesmo dia, que os advogados de Trump, a mando deste, andam a investigar se o Presidente tem poderes para perdoar-se a si, e a membros da sua Administração e família, de algum processo criminal onde possam ser indiciados.

Isto, na mesma altura que foi tornado público que Donald Trump Jr aceitou comparecer numa reunião, com alguém associado ao governo Russo, e com uma troca de e-mail onde o “assunto da mensagem” era… Russia – Clinton – Private and Confidential!!

A resposta do Jr? “Se é aquilo que diz, eu adoro, especialmente na parte final do verão.”

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Esta troca de e-mails é admissível em tribunal como uma tentativa de conluio com um país adversário, para além de ser um processo criminal por desrespeitar regras de financiamento de campanhas políticas.

Depois há o “rapaz maravilha”. Jared Kushner. Conselheiro sénior do Presidente, o jovem com mais influência, e “raio de ação” da Casa Branca, já é a terceira vez que tem de rever o Formulário SF-86, que é peça base para se ter security clearance para os Presidential daily briefings, onde os segredos mais importantes, e vitais dos Estados Unidos são apresentados ao escalão superior de conselheiros e assessores do Presidente. Não responder honestamente às perguntas no formulário é considerado como crime. E já é a terceira vez! A primeira foi por causa de contactos com Russos para estabelecer um canal de comunicação… à revelia das agências Americanas de informação e segurança (!!), e a segunda quando o “rapaz maravilha” se esqueceu de reportar uma reunião com o director de um banco Russo… que foi indiciado nos Estados Unidos por branqueamento de capitais.

Na última revisão, Jared acrescentou (porque se tinha esquecido) que, afinal, se reunira com outros 100 agentes estrangeiros para além daqueles já reportados. Até mesmo Ivanka, a “princesa da Corte Trump”, pode ser indiciada pelo mesmo crime, uma vez que no SF-86 é perguntado “se um familiar teve contactos com agentes estrangeiros”. Kushner ao não reportar os seus, Ivanka não reportou os do marido.

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Assim, é fácil perceber porque quer o Presidente dos Estados Unidos que a investigação sobre as ligações entre a Rússia e a Administração Trump desapareçam (já para não falar que Bob Mueller anda a mexer nas ligações económicas entre Trump e oligarcas russos) e tenha entrado em “modo desespero” para encontrar uma saída para o buraco onde se enterrou.

Se Trump “mover mundos” e livrar-se do Procurador-Especial, poderá ser desta que os Republicanos no Congresso e no Senado, ganham “vergonha na cara”, e avançam para um processo de Impeachment?

Infelizmente, a resposta, tanto da liderança em ambas as câmaras, e até o comportamento da esmagadora maioria dos Representantes e dos Senadores Republicanos, é “meh…”.

Mitch McConnell, o líder da maioria no Senado, e Paul Ryan na Casa dos Representantes, sabem que Trump é inadequado para o cargo, mas não vão fazer nada que pareça confrontacional para a Casa Branca.

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A ideia que o Presidente possa ser um agente Russo (ou pelo menos comprometido por uma força externa inimiga), ou que os Russos possam ter alterado o processo eleitoral, ou que haja conflitos de interesse de Trump e a Presidência, devia ser uma afronta para qualquer Americano, principalmente para aqueles com responsabilidades governativas.

No entanto, os Republicanos mostram um total desrespeito pela Constituição Americana, e pelos votos que fizeram de a proteger, e de defender o povo Americano, e não o partido, e um Presidente que diz ser do mesmo partido. O Presidente não pode estar acima da lei, e não deve ser aceitável, como foi com Richard Nixon, que uma investigação a um ataque aos Estados Unidos, e a possíveis colaboradores na América, tente ser sonegada, ou até mesmo terminada.

No entanto, parece que estamos a caminho de um crise constitucional que não se via desde Watergate. Se Trump der instruções ao DOJ para despedir Mueller, há uma solução simples: Republicanos no Congresso terão de passar uma lei para reintegrar Mueller, ou podem ameaçar com Artigos de Impeachment se o Presidente avançar com essa intenção.

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Só que Ryan e McConnel não o farão. Porque são cobardes e cínicos. Têm receio de usar os seus poderes para cumprir com os seus deveres para com os Americanos pelo receio de enfrentar a plebe que votou Trump, e o continua a suportar. Têm medo de perder os lugares, para uma nova “onda” de votantes, como aconteceu com o Tea Party. No lugar de usarem a Constituição para refrear o Presidente, não fazem nada, porque também querem um fantoche na Casa Branca que assine leis (felizmente vão seis meses e não passou nenhuma), onde se penalize os pobres e se dê cortes nos impostos para os (muito) ricos.

E pela maneira como as coisas estão a correr, não parece que se possa esperar por 2019 (novo Congresso e Senado) para se ir a fundo nestas questões. Portanto, a única coisa que se pode fazer, neste momento, é esperar que os Republicanos coloquem, finalmente, Country over Party, and do the right thing.

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