Conferência “Trump e a sua Administração, o que esperar nos próximos anos”

pic post Trump demsptDeixamos aqui dois registos da Conferência “Trump e a sua Administração, o que esperar nos próximos anos para o Planeta, a Europa e os Estados Unidos” que aconteceu no 29 de Janeiro, organizado pelo Movimento Liberal Social, em colaboração com os Membros Individuais da ALDE .

Fizemos um resumo da comunicação do ex Embaixador dos Estados Unidos em Portugal, Allan Katz, com o título “A Cautionary Tale“, que transcrevemos abaixo.

Igualmente, pode visualizar aqui o Power Point que serviu de base para a comunicação de Ricardo Silvestre, dos Democratas, com o tema  “A Administração Trump e os (frágeis) ganhos na luta contra as alterações climáticas”.

De Allan Katz:  “O resultado das eleições Americanas de Novembro foi devido a ter-se formado uma “tempestade perfeita”, com muitos fatores a juntarem-se no momento certo, e onde bastava apenas um não se ter conjugado, e as coisas podiam ter sido diferentes(…)

(…) Este presidente é diferente de qualquer outro que o antecedeu. O Presidente Trump mostra uma quase total falta de conhecimento tanto de política como de governação. Neste momento, nos USA, estão a acontecer mudanças, e mesmo que algumas sejam necessárias, estas estão envoltas em demasiada inconsistência, e com um Presidente que é incapaz de dizer que está errado, ou que se enganou.

Os Americanos ficaram muito “estragados com mimos” com a Administração Obama. O antigo Presidente sabia como se faz política, e se toma decisões a este nível. E mesmo que não se concordasse com as decisões que fossem tomadas, entendia-se o processo pelo qual elas tinham sido tomadas. E esse processo incluía uma tomada de decisão a níveis inferiores ao Presidente, com ajuda de especialistas na matéria, e que depois era vetada pelos Departamentos de Estado respetivos, até chegar ao Presidente que podia, ou não, promulgar. E se não o fizesse, explicava o porquê de não o fazer. Já Trump, não tem qualquer experiência no processo, e as decisões estão a ser tomadas de “baixo para cima”, saindo do círculo mais próximo do Presidente para os organismos que são responsáveis pela sua implementação. Para além disso, é visível que as decisões estão a ser conduzidas pela emoção, e isso é algo muito assustador. Diz-se que Trump faz lembrar Berlusconi. No entanto, há uma diferença crucial, a Itália não é os Estados Unidos.

Os Estados Unidos são um país novo com uma democracia antiga, enquanto países como Portugal são países antigos com democracias recentes. Esta “democracia antiga” assegura um conjunto de sistemas de fiscalização da Presidência, seja pessoas ou instituições, que têm agora como função não deixarem as coisas saírem do controlo, como é o caso da imprensa, do Supremo Tribunal, das Casas de Governação Estatais. As pessoas que Trump tem selecionado para a sua equipa, são o espelho do que é uma Administração Conservadora e Republicana. No entanto, o problema não são esses Secretários de Organizações Governamentais, mas sim o próprio Presidente, uma vez que este não tem nem uma ideologia coerente, nem um centro moral.

A Constituição Americana é um documento que serve bem o país. Agora, as Organizações que dependem da Constituição, e que a defendem, têm de fazer o trabalho de parar as políticas que são más para o país. Já existem alguns exemplos, como é o caso da injunção legal por parte de tribunais Federais para parar a Ordem Executiva relativamente a proibição da entrada de emigrantes e refugiados de certos países. E mais nesse estilo irão acontecer à medida que estas forem necessárias. Também, neste momento, já se começam a mobilizar pessoas que antes não estavam interessadas no processo político, e isso também fará a diferença.

Neste momento, um dos problemas com que nos deparamos, é que vivemos numa “cultura de celebridade”, que permite que certas coisas, que antes eram totalmente inaceitáveis, possam agora ser feitas por essas celebridades, sem qualquer punição por isso. Donald Trump é um exemplo de isso mesmo, e isso fá-lo ser uma das pessoas mais perigosas que já ocupou a posição de Presidente dos Estados Unidos da América. “

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